O Diário Proibido de Josephinne Fly


lembranças do vestiário




          hoje saio desta caixa, porém saio somente em memória e me teletransporto para um passado ou futuro distante, ainda não me vejo, mas percebo que são lembranças da época do colégio, ali me vejo só, andando por entre armários, corredores, portas, é quando deduzo se tratar do colégio em que possivelmente estudei, está vazio o vestiário, possivelmente após a aula de educação física, aula da qual detestava, apesar de me excitar com o que imaginava em meu ostracionismo casto, sempre distante e retardatária noto sons e passos que adentram o local, tento me vestir depressa, mas não há mais tempo, três estudantes mais velhos, uns quatro anos a frente, daqueles que são reprovados por vários anos, estão ali estáticos, eles me cercam, seus olhares e sorrisos são cúmplices e diabólicos, de repente me despem, rasgam-me, devoram-me como cenas da National Geografic, leões devoram a gazelinha, logo partem, me vejo partida e repartida em lembranças, órgãos, vestes,corpo, porca suja, humilhada, vítima, seriam anjos sem asas, seriam demônios sem chifres, teria mesmo acontecido, ou apenas sonho, todos os dias os espero no vestiário, não sei como consegui andar de volta para casa e mamãe não percebeu nada...

(de noite tento me satisfazer com o ursinho de pelúcia, mas ele tem menos sexo que os anjos, então pego a tesoura e acabo com ele)



Escrito por Josephinne Fly às 11h04
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caixa de pandora 



          continuo sem me ver, sem saber, nada de nada, sem notícias de Deus, de fulanos ou beltranos, me sinto nua, num espaço pequeno e negro, áspero, não sei, acho que estou dentro da caixa de Pandora, presa por que sou uma das mazelas do mundo, o mal não pode ser solto, dormi com o anjos, mas os infelizes não me encaram, somente olham para cima com caras de nuvens, anjos inúteis, não sei se quero anjos ou demônios, antônimos ou sinônimos, estou anônima, fico com ódio e arranco as penas das asas dos malditos, eles crescem, encorpam e eu os violento lentamente, sexualmente falando, sendo que eles não tem sexo, nesses momentos penso, acho que sou homem, cão, cadela, anjo, tesão, beijo molhado, chão, agora vou me acariciar com suas penas, que peninha, acabou...

(enquanto isso, raivosos, rabiscam as paredes, vão ter que apanhar)



Escrito por Josephinne Fly às 16h49
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meu querido diário






          escrevo com letras minúsculas, porque não sei bem ao certo, qual meu tamanho ou altura, de meu corpo ou felicidade, minha cor da pele, meu cheiro, a espessura das partes de meu corpo, o peso de meus desejos, não sei minha idade, nem ao menos onde estou, como são meus cabelos, meus olhos, meu sexo, sou menina ou mulher, pênis ou vagina, virgem ou promíscua, apenas existo e sei que estou sobre minhas duas pernas, espero por algo entre elas, úmidas, sentidas, tremem, por isso sei que não sou cadela, porque também escrevo, cadelas não escrevem, pelo menos, pelo que sei, mas não sei se sou menos racional que elas, enfim, aqui quero escrever desordenadamente meus dias que já foram, meus dias que virão, delicados ou sórdidos, invernos e verões, um dia descobrirão comigo quem sou e tudo o que faço ou o que já fiz, se estou viva ou se morri, essa é a minha primeira página, meu primeiro orgasmo literário do - diário proibido de Josephinne Fly

(me cansei, agora dormirei com os anjos)



Escrito por Josephinne Fly às 22h36
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