O Diário Proibido de Josephinne Fly


pipi



... a vagabunda voadora, que nunca sai do mesmo lugar, volta a atacar, ainda não sei quem sou, me sinto molhada, ou molhado, quem se importa, nesta caixa que não sei se é meu caixão, ou uma solitária, talvez um porta-malas, fico aqui morta-viva-condenada-mala, sem saber porra nenhuma, me abro e me fecho em gavetas, saem coisas e entram coisas dentro de mim, será que sou um armário, ou um almoço self-service, caralho, o que é que esse merdinha de anjo inútil está fazendo nas minhas costas, ele que não bobeie, coloco ele na churrasqueira, com penas e o caralho a quatro, será que anjo tem caralho, sei lá, mas sinto um volume no meio das minhas pernas, agora posso identificar, josephinne fly tem pipi, josephine fly tem pipi...


(como uma deusa, você me mantém, e as coisas que você me diz, me levam além, bem perto das lendas, bem longe do fim, afim de dividir o duro do prazer, o pênis é o poder, me perdoem as feministas, a terra gira em torno, não sei de onde, o sol gira em volta de alguma coisa, mas o mundo gira em torno do caralho)



Escrito por Josephinne Fly às 01h47
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rádio sórdida

 

 

      

... aqui quem fala é josephinne fly, pela rádio sórdida, a trombeta do apocalipse hermético, a sujinha da caixa preta perdida no universo cosmo/chulo, a vagabunda que vaga pelo espaço sideral da pornografia digital sem saber se vive entre o bem ou o mal, fodam-se as questões,  as perguntas, os pensadores, ou as ilusões, podem gargalhar por josephinne não saber quem é, mas quem disse que você sabe quem é você, sorria você está sendo enganado...

 

(pênis plunct plact zuuum, não vai a lugar nenhum, boa viagem a vagina intergaláctica, do clitóris meteórico, há ânus luz, ânus luz daqui)

 



Escrito por Josephinne Fly às 14h53
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flor velha

   

      

          xiiiiiii! acho que dormi demais, depois de um longo e tenebroso verão, volto eu então, ai que soninho, parece que dei uma cochiladinha e fiquei um tempo sem escrever meus sórdidos pensamentos neste diário escroto, também, ninguém lê essas porras, quem vai querer saber quem é josephinne fly, só mesmo quem não tem merda nenhuma pra fazer, ei você, você mesmo que está lendo isso, vá fazer algo de útil de sua inútil vida fútil, acho que estou morta, pois estiquei meu braço para achar meu sexo e achei uma flor velha, caralho, você nem pra me ajudar a desvendar essa porra de mistério...

 

(enquanto esses anjinhos do inferno brincam de ménage à trois, um mosquitinho, dois mosquitinhos, três mosquitinhos...)



Escrito por Josephinne Fly às 22h28
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pisca pisca

 

     

 

     acho que apaguei, sim apaguei mesmo, como uma fogueirinha de são joão, como uma lâmpada vagabunda ou gasta, ninguém me chamou, que merda, tenho a impressão que ouvi gingle bell gingle bell, deve ter sido a porra no natal e me deixaram dormindo, oras bolas, bolas de árvore de natal, acho essa historieta de papai noel um saco bem vermelho e cheio de pentelhos, quero mais é ser a ponteira da árvore, sentar na ponta desse iceberg e engoli-la inteirinha com luzinhas pisca-pisca acendendo e apagando dentro de mim, estão assustados, a vida é assim, apaga e acende dentro da gente, de um segundo para o outro, que merda, ainda não sei onde estou, só breu, só breu, enaquanto os dois anjos idiotas continuam com caras de nuvens, sem fazerem nada por mim, deixe estar, coloco eles no forno até ficarem bem pururuca, com farofa dentro, é claro, é breu, é claro, não sei...

 

(marilyn monroe, marilyn morreu, mary christmas, merry christmas, marilyn christmas, marilyn krishna, krishna krishna, hare hare)



Escrito por Josephinne Fly às 13h11
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inferno

 

 

     será isso, será que estou no inferno mesmo, dentro de uma gaiola revestida por uma cortina negra, uma gaiola suspensa como um pêndulo diabólico, balançando sobre um pântano, todos estão sendo torturados, ouço os gritos dos algozes e de suas vítimas, ou será que estão urrando de prazer, então estou na porra do paraíso, são anjos promíscuos gememdo, sussurrando indecências, acho quero sair daqui e descobrir se estou viva ou morta ou se sou simplesmente morta viva, que caralho...

 

(I see trees of green, red roses tôo, I see them bloom for me and you, And I think to myself, what a wonderful world, lá, lá, lá...)



Escrito por Josephinne Fly às 16h13
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fly

 

 

 

     moscas moscas moscas, muito mais, morfética, matrona, mesquinha, maquiavélica, mesmo assim, moribunda, mendiga, mesmo assim misteriosa, melindrosa, mesmo assim melíflua, mártir, mística, mestiça, mesmo assim, monstruosa, mefistofélica, matei mais uma, one fly, one fly, zuuummm zuuummm zuuummm...

 

(sinto que a vida do ser humano é tão idiota quanto a das moscas, a única diferenças é que elas nascem, vivem e morrem em média de uma a quatro semanas, pobrezinhas, acho pouco, quero dizer... acho muito, zuuummm)

 

 



Escrito por Josephinne Fly às 08h16
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vaca/cadela

    

      é sempre assim, vaca, cadela, suor, cio, saio e sacío, sedenta, papai não sabe, mas acho que mamãe desconfia, acho na verdade que mamãe me odeia, puro ciúmes de papai, acho que eu o amaria, acho que eu a mataria, depois pastaria, chafurdaria, porca/égua de mim, maldita bendita seja, natureza essa que me fez com o buraco negro do universo dentro de mim, satélites, anéis de saturno, ÓVNIS, agora me volto para esse buraco escuro em que me encontro, será que ainda não nasci, estou num útero, placenta plástica, pensamento placebo momentâneo... 

(mesmo assim me masturbo pensando em alienígenas com duas cabeças e três membros viris a virar a revirar pelo meu planetinha putrefato)

 



Escrito por Josephinne Fly às 12h23
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memórias de merda




          acho que descobri porque me chamo Josephinne Fly, fly, mosca, é isso, estou as moscas, como um monte de merda, talvez seja bom ser um monte de merda, esparramar-se pelo chão, feder, ninguém querer chegar perto, sim porque o ser humano se mostra cada dia mais escroto, mais repugnante, tento alcançar meu sexo, mas não consigo, não tenho forças para saber quem sou, se sou realmente quem acho, quero sair dessa caixa de memórias lúgubres, esse limbo, vejo um carrinho de bebê, acho que é de meu irmãozinho, sim, aquele que empurrei do abismo, sweet dreams, sweet dreams...

(acho que estou no ventre materno, preciso chupar algo, dedo, chupeta, falo, enquanto a bailarina rodopia em sonhos lisérgicos em sua caixinha, o mundo é uma caixa, acho que quero vomitar)



Escrito por Josephinne Fly às 13h09
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lembranças do vestiário




          hoje saio desta caixa, porém saio somente em memória e me teletransporto para um passado ou futuro distante, ainda não me vejo, mas percebo que são lembranças da época do colégio, ali me vejo só, andando por entre armários, corredores, portas, é quando deduzo se tratar do colégio em que possivelmente estudei, está vazio o vestiário, possivelmente após a aula de educação física, aula da qual detestava, apesar de me excitar com o que imaginava em meu ostracionismo casto, sempre distante e retardatária noto sons e passos que adentram o local, tento me vestir depressa, mas não há mais tempo, três estudantes mais velhos, uns quatro anos a frente, daqueles que são reprovados por vários anos, estão ali estáticos, eles me cercam, seus olhares e sorrisos são cúmplices e diabólicos, de repente me despem, rasgam-me, devoram-me como cenas da National Geografic, leões devoram a gazelinha, logo partem, me vejo partida e repartida em lembranças, órgãos, vestes,corpo, porca suja, humilhada, vítima, seriam anjos sem asas, seriam demônios sem chifres, teria mesmo acontecido, ou apenas sonho, todos os dias os espero no vestiário, não sei como consegui andar de volta para casa e mamãe não percebeu nada...

(de noite tento me satisfazer com o ursinho de pelúcia, mas ele tem menos sexo que os anjos, então pego a tesoura e acabo com ele)



Escrito por Josephinne Fly às 11h04
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caixa de pandora 



          continuo sem me ver, sem saber, nada de nada, sem notícias de Deus, de fulanos ou beltranos, me sinto nua, num espaço pequeno e negro, áspero, não sei, acho que estou dentro da caixa de Pandora, presa por que sou uma das mazelas do mundo, o mal não pode ser solto, dormi com o anjos, mas os infelizes não me encaram, somente olham para cima com caras de nuvens, anjos inúteis, não sei se quero anjos ou demônios, antônimos ou sinônimos, estou anônima, fico com ódio e arranco as penas das asas dos malditos, eles crescem, encorpam e eu os violento lentamente, sexualmente falando, sendo que eles não tem sexo, nesses momentos penso, acho que sou homem, cão, cadela, anjo, tesão, beijo molhado, chão, agora vou me acariciar com suas penas, que peninha, acabou...

(enquanto isso, raivosos, rabiscam as paredes, vão ter que apanhar)



Escrito por Josephinne Fly às 16h49
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meu querido diário






          escrevo com letras minúsculas, porque não sei bem ao certo, qual meu tamanho ou altura, de meu corpo ou felicidade, minha cor da pele, meu cheiro, a espessura das partes de meu corpo, o peso de meus desejos, não sei minha idade, nem ao menos onde estou, como são meus cabelos, meus olhos, meu sexo, sou menina ou mulher, pênis ou vagina, virgem ou promíscua, apenas existo e sei que estou sobre minhas duas pernas, espero por algo entre elas, úmidas, sentidas, tremem, por isso sei que não sou cadela, porque também escrevo, cadelas não escrevem, pelo menos, pelo que sei, mas não sei se sou menos racional que elas, enfim, aqui quero escrever desordenadamente meus dias que já foram, meus dias que virão, delicados ou sórdidos, invernos e verões, um dia descobrirão comigo quem sou e tudo o que faço ou o que já fiz, se estou viva ou se morri, essa é a minha primeira página, meu primeiro orgasmo literário do - diário proibido de Josephinne Fly

(me cansei, agora dormirei com os anjos)



Escrito por Josephinne Fly às 22h36
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